

Duzentos e setenta quilômetros a pé, em dez dias. Em 18 outubro o niteroiense Pedro Sepúlveda, 44, iniciou a missão de andar da Paróquia Santa Rita, no Centro do Rio de Janeiro, até o município de Aparecida do Norte, no interior de São Paulo. O objetivo da Caminhada Solidária contra a Fome é divulgar a preparação nas redes sociais para arrecadar doações via pix e transformá-las em cestas básicas, que devem ser distribuídas nas comunidades do Morro do Céu, em Niterói, e da Grota, no Complexo do Alemão. A meta dele é de percorrer cerca de 50 quilômetros por dia. Apesar de otimista, Pedro admite a possibilidade de as doações serem escassas. Depositar as esperanças na disposição das pessoas pode ser, de fato, uma aposta incerta, fora a questão financeira. Porém, Pedro, que é dono de uma lan house, está convencido de que uma boa ação tende a mobilizar outras. “Nada de esperar o outro fazer. É botar a cara no sol — ou melhor, os pés na rua — e irradiar boa-vontade. Antes de qualquer coisa, o projeto sou eu”, explica. Mais da metade (57,2%) das casas do estado enfrentam alguma situação de insegurança alimentar, caracterizada pela falta de acesso a alimentos em quantidade e qualidade suficientes. Ao todo, são 2,7 milhões de pessoas em situação de fome no Rio, de acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, divulgado este ano. Como um presságio, um sonho anunciou a Paróquia Santa Rita na frente de Pedro. Ele sempre gostou de andar por aí, e o hábito se tornou ainda mais frequente na pandemia. “Você tem que fazer isso!”, disse a si mesmo. Formada a ideia, precisava convencer a família. “Uma loucura”, disse a mãe, dona Jônia, de 79 anos. Mas logo a senhora baixou a guarda. Católica, reza para que o filho faça o trajeto e volte ao Rio em segurança. Afinal, torcida e boa energia nunca são demais, especialmente, a da filha, a pequena Alice, de 9 anos. É por ela e por dona Jônia que Pedro conteve o plano de simplesmente se jogar na estrada, sem qualquer roteiro de viagem. Então, sentou-se com os amigos para mapear o trajeto. Definiram pontos estratégicos para que o comerciante pudesse descansar depois dos 50 km de cada dia. Algumas vezes mais; outras, menos, ele ressalta. O importante é que ele não se depare com o meio do nada, conta, aos risos. Pedro já se encontra na sua caminhada há dois dias e segue publicando nas redes sociais do projeto, notificando a cada parada.
Gostou da história e quer saber mais? Entre no Jornal CondoTown através deste link: https://revistadoscondominios.com.br/wp-content/uploads/2022/10/jornal_CONDOTOWN_ed3_OUT22.pdf. E se quer ajudar o projeto, o pix para realizar as doações é (21) 98304-6446 e para mais informações, siga o Instagram : @caminhadasolidariacontraafome.

Logo da campanha.
Por: Fernanda Vitória, Laura Roboredo e Letícia Veloso